A Raposa e a Máscara
A Serpente e a Lima
O Lobo e o Cabritinho
O Calvo e a Mosca
1

Uma Raposa conseguiu à sua maneira entrar nos depósitos de um teatro. De repente, avistou um rosto que a observava do alto e tomou um susto; contudo, ao olhar mais de perto, percebeu que era apenas uma Máscara, como as que os atores usam sobre o rosto.
"Ah," disse a Raposa "você parece perfeita; uma pena que não tenha cérebro."

As aparências são um precário substituto para o valor interior.

2

A Serpente, no decorrer de suas perambulações, encontrou uma casa de ferragens. Enquanto deslizava pelo chão, sentiu a pele alfinetada por uma lima ali jogada. Em sua reação raivosa, virou-se para cima dela e tentou puni-la com suas presas, mas não conseguiu causar qualquer dono ao duro metal, e logo foi obrigada a desistir de sua fúria.

É inútil atacar o que não tem sensibilidade.

3

Um Cabritinho estava empoleirado no topo de uma casa quando, olhando para baixo, viu passar um Lobo. Imediatamente começou a injuriar e a assediar o inimigo.

"Assassino e ladrão" gritava. "O que faz você aqui nos arredores das casas de gente honesta? Como ousa aparecer aqui, onde seus atos infames são conhecidos?"

"Insulte quanto queira, meu jovem amigo." disse o Lobo.

É fácil ser corajoso a uma distância segura.

4

Era uma vez um Calvo que se sentou para descansar depois de um dia quente de trabalho no verão. Uma Mosca apareceu e começou a zunir sobre sua careca, picando-o de tempo em tempo. O Homem dirigiu um golpe contra o pequeno inimigo, mas em vez disso bateu com a palma na própria cabeça. A Mosca continuou a atormentá-lo, mas dessa vez o Homem foi mais sábio e disse:

"Você só machuca a si mesmo quando dá atenção a inimigos desprezíveis."

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